sábado, 7 de setembro de 2013

Piratas do Caribe - A Ilha de Ouro - Capítulo Final

   - Angélica? - Jack solta-lhe o braço e recua, assustado com o que viu - Você está virando um deles?
   Sem prestar atenção no que ele disse e estando raivosa por não conseguir bater nele, ela sai do recinto e começa a gritar para os cidadãos de "Eldorado", numa língua muito esquisita. Jack tenta entender o que ela diz e, de alguma forma, consegue o desejado. Estranhando a sua conquista, olha para seus braços e os descobre meio dourados.
   Entra em desespero por causa disso e, quando olha para Gibbs, vê que seu o amigo está da mesma forma: com expressão de pânico e braços reluzindo. Se concentra ainda mais no que Angélica está berrando e tudo fica cada vez mais claro:
   - Eu conheço eles! Eles não são deuses! - afirma a garota, chamando a atenção de cada vez mais pessoas na rua, que estavam circulando pela área ou cuidando dos seus afazeres rotineiros - Aquilo que matou o homem era uma arma, não uma bola de fogo! Armas são pedras que explodem num galho. No meu mundo, todos tem uma arma! Eles não são deuses! - faz uma pausa para ver se todos entenderam - O que vocês estão esperando? Matem-nos!
   Os nativos urram furiosos, sobem a escadaria do templo e tentam agarrar Jack. Por sorte, ele é mais rápido e chuta um balde cheio de água na direção deles, dando uma vantagem estratégica para si mesmo. Corre e quase pula por uma janela, porém alguém pega-o pela parte trás da camisa, atrapalhando a fuga.
   Novamente dentro do templo, o pirata é amarrado fortemente em cordas. Tais cordas de ouro são tão bem presas e resistentes que ele não consegue se mover nem um centímetro. Impotente, é arrastado para fora do templo por braços musculosos.
   Akitá aparece em seu campo de visão e Jack percebe, surpreso, a sua verdadeira identidade. Graças aos olhos já acostumados com tanto ouro e brilho, consegue reparar as feições do rosto daquele homem. Akitá é, nada mais nada menos, que um Barba Negra de rosto dourado.
   Não podendo fazer nada com essa descoberta, é carregado para a mesma praia em que acordou nessa ilha. Uma grande fogueira emanando cheiro de carne humana enfeita a paisagem. Com pavor, Jack identifica, ali, um mão, meio carne e meio osso. Como se fossem assá-lo para comer, prendem-no numa madeira acima do fogo. O nosso herói recorre à sua única esperança:
   - Não podem fazer isso com Ximbabu! Eu, o Deus do Vulcão, vou fazê-lo entrar em erupção, se não me soltarem agora! - ameaça, falando na língua recém-aprendida.
   Os nativos nem dão ouvidos e apertam ainda mais as amarras. De repente, ao longe da ilha, uma fumaça dourada sai de um vulcão. Ainda assim, os ourenses não se importam. Ouve-se um estrondo capaz de deixar pessoas muito perto surdas, a fumaça aumenta de nível e logo se avista uma dourada, reluzente e quentíssima lava saindo do vulcão.
   Todos os cidadãos correm para o mar, em busca de refúgio. Os que estavam na cidade seguem o mesmo exemplo e saem dela para vir a praia, onde vão para a água. Jack permanece preso e um bola de fogo voa e pousa num lugar extremamente próximo. Por azar, o fogo da bola, já no chão, vai se direcionando para onde o pirata está. Chega tão perto que os sapatos dele fumegam e a intensa dor sentida o faz gritar.
   Logo, do nada, Gibbs chega e desamarra-o. Espertos e com o bom espírito de saqueadores, ambos pegam punhados de de areia (na verdade, pó de ouro) e guardam nos bolsos de suas roupas. Quando a lava se aproxima perigosamente, eles correm para a água salgada. Nadam alguns metros, até que Angélica os chama por trás. Maleficamente, mostra para eles o boneco vodu de Jack, que roubara de seu pai.
   - Jack, se você me deixar aqui, vou jogá-lo na lava! - ela ameaça o nosso herói, fazendo-o tremer dos pés à cabeça.
   Nesse meio tempo, Gibbs avança mais para longe, contudo algo o impede de ir muito adiante. Ele olha ao redor e percebe que todos os nativos estavam nessa mesma situação. O seu companheiro também se dá conta do que está acontecendo e, rapidamente, descobrem a razão: todo o ouro da ilha deve permanecer nela. Tanto os objetos quanto os ourenses não tinham permissão para escapar. Uma barreira invisível e e inquebrável impedia que qualquer um burlasse a regra. Sabendo disso, o conhecido Sparrow tira todo o ouro escondido em suas vestes e, como se fosse um enorme sacrifício, joga-o na praia.
   Pensando com raiva, e não com a razão, Angélica atira o boneco que segurava na lava. Tonta por causa do calor e por ter gastado todas as suas forças no arremesso, a dama tem uma queda mortal. Em questão de segundos, o corpo sem vida dela já não é mais visto em meio a lava dourada.
   Enquanto isso, Jack se contorce de dor. Apesar de estar na lava, o boneco não é consumido por ela, pois a sua vítima está na água. Entretanto, a dor é terrível. Quando o pirata está a ponto de se deixar levar pela Morte, Gibbs enfia a mão na lava e pega o boneco. Sem se importar com a dor na mão, leva o "brinquedo" para o mar e dá-lhe um banho.
   Com tal feito corajoso do gorducho, Jack se recupera e abre um sorriso de alívio para o amigo. Ele nunca imaginaria que aquele homem seria, um dia, o seu salvador. Ambos, com várias cicatrizes, pegam um barco improvisado com pedaços de madeira. Sabendo que nunca iriam embora com aquele ouro, eles descascam a fina crosta que se formava em seus braços, resultado de suas quase-transformações em ourenses. Assim que o fazem, esquecem completamente como era a língua da ilha. Nenhum nativo tenta fazê-los permanecer no lugar, pois estavam preocupados demais com as suas próprias sobrevivências.
   Assim, os dois piratas partem e, já distantes da Ilha de Ouro, olham para a dita cuja e conversam pela primeira vez desde a aparição de Angélica:
   - Gibbs! Você sabe com eu consegui fazer o vulcão entrar em erupção? Eu não! - Jack fala, iniciando o diálogo.
   - Ah, sim... Bem... Eu achei que, se jogasse água no vulcão, faria fumaça e assustaria aqueles homens! Só que talvez lava de ouro não combine com água de ouro e faça... faça BUM!
   - Muito esperto! Não digo isso para qualquer um, no entanto você é quase tão inteligente quanto eu!
   - Hum... Obrigado?! - faz uma cara que expressava dúvida, todavia não consegue esconder o sorriso de satisfação que lhe brota nos lábios.
   - Não. Obrigado você! - o outro retruca - Porém, outra coisa me deixou intrigado... O Barba Negra morreu! Como foi parar naquela ilha?
   - Não sei. Acho que isso descobriremos depois, em outra aventura!
   - Se estivermos vivos até lá!
   E foi assim que dois piratas do Caribe ficaram enjoados de ouro...