O pirata se levanta cambaleando e, assim que recupera o equilíbrio, olha ao seu redor. Um sorriso de orelha a orelha brota em seus lábios assim que vê que tudo naquela ilha é feito de ouro. As pedras, as árvores, a areia e todo o resto. "Isso deve ser real, não deve ser o Paraíso. Aposto que, se estivesse mesmo morto, estaria no Inferno!" pensa. Encontra Gibbs caído a três metros de onde está. Jack corre naquela direção e joga água do mar no gordinho, fazendo-o acordar assustado e rolar um pouco pela praia.
- O que foi? O que foi? - o amigo grita eufórico, quando consegue se manter parado e avista Jack.
- Acalme-se, Gibbs! Estamos vivos!
- Onde estamos? - retorna a indagar.
- Na Ilha de Ouro!
Ambos resolvem explorar a ilha e eles adentram a floresta de havia ali. Ficam tão encantados com os animais e plantas dourados, que acabam por baixar a guarda. São surpreendidos por nativos de cor dourada, camuflados perfeitamente no ambiente.
Milhões de homens reluzentes apontam lanças e flechas para eles, prontos para um ataque. Perante tal cena, Gibbs se ajoelha e levanta os braços, um sinal claro de rendição. Porém, isso não é do feitio de Jack. Diferente do companheiro. ele desembainha sua arma, que sobreviveu ao naufrágio, e atira. Um dos nativos cai morto e é possível ver que o seu sangue também é dourado. Todos os outros ficam, por um segundo, em silêncio.
De repente, os atacantes se ajoelham aos pés de Jack, pedindo clemência. Um deles se levanta e grita "Ximbabu!". Logo, todos repetem em coro e levam Jack e Gibbs até um enorme portão, empurrando-nos sem chegar a apontar suas armas para eles. O é todo encrustado de pedras de safira e esconde e protege a grandiosa e extremamente preciosa cidade de "Eldorado".
Ao entrarem na cidade, todos os habitantes observam curiosos os recém-chegados. Estranhavam suas cores e roupas. Da mesma forma, Jack e Gibbs fitavam os rostos novos e suas moradias. As roupas que as pessoas vestem são simples, no entanto são várias, uma colocada por cima da outra. Todas as casas são brilhantes e parecidas e, no fim da rua principal, há um grande templo.
Eles são encaminhados até lá e sobem a longa escadaria. São tratados a todo o tempo com respeito e temor, não como prisioneiros. Dentro do templo há um grande salão. As paredes são enfeitadas com desenhos bem trabalhados e pedras preciosas para dar o colorido. Um trono é o único móvel do espaço, no qual fazem Jack se sentar.
- Akitá, Ximbabu, Patú! - um homem fala para todos. Depois disso, os nativos ficam de joelho, enquanto chamam por "Akitá! Akitá!". No instante seguinte, um homem altivo e com roupas coloridas e brincos pesados entra no salão.
- Akitá! - um cidadão diz, apontado para o recém-chegado - Ximbabu! - refere-se à Jack - Patú - olhando para Gibbs.
- Patú?! - Gibbs retruca, estranhando o seu "apelido" - Será que não tinha um nominho melhor para mim, não? O de Jack é bem melhor que o meu... - resmunga, todavia ninguém lhe dá atenção.
Akitá sai por um porta, que dá para uma sacada. Uma multidão está abaixo dela e os componentes gritam depois que Akitá diz coisas na sua língua estranha. O jeito como fala e os povo o respeita deixa claro que ele é o líder entre eles.
- Esse Akitá deve ser o rei! Mas por que eu é que estou no trono? - pergunta Jack, mas não obtêm resposta alguma.
O tempo vai passando e os dois forasteiros permanecem naquele lugar, sendo tratados como deuses importantes. Recebem os melhores pratos de comida (e não havia nada que podia deixar Gibbs mais contente), vestem as melhores vestes e dormem nas melhores camas. Jack sempre senta-se no trono que agora é seu e recebe comida na boca.
Diariamente, algum cidadão é enviado para o templo e tenta falar com ele, que nada entende. Até que, certo dia, um homem magricela, com roupas que lhe cobrem todo o corpo e também são grandes demais, adentra o salão. No mesmo instante que lhe observa o rosto parcialmente escondido pelo chapéu, Jack o reconhece.
- Angélica! O que está fazendo aqui e por quê está vestida como homem? - pergunta, surpreso pela visita justamente dela.
- Achou que eu estava naquela ilha em que você me deixou para morrer? - a mulher disfarçada retorque, ignorando a última pergunta do questionador - Pergunte como eu sobrevivi. Pergunte!
- Então, como sobreviveu? - indaga, sem outra alternativa. Só que, como não é de ser deixado para trás em questão de ser irônico, completa: - Amarrou os pés em tartarugas marinhas, que te trouxeram até aqui, até mim?!
- Uma onda forte trouxe um navio até onde eu estava. Me vesti com essa roupa de homem e fui a bordo. Maldito seja aquele que inventou que mulher a bordo traz má sorte! Quando os piratas descobriram que sou uma mulher, me jogaram para fora, num bote! Depois disso, eu passei por uma tempestade, cheguei aqui e fui acolhida como igual. - narra, sem se deixar levar pelo jogo de provocações do pirata.
- História legal! - Jack diz, sarcástico, e ri - Agora, pode me explicar o que está fazendo se ajoelhando para mim e tal?
- Ora, mas não é óbvio? Eles acham que você é Ximbabu, o Deus do Vulcão! Ouvi dizer que você matou um com uma bola de fogo... Era uma arma, não é?
- Sim, só que isso não vem ao caso - fala Gibbs, que estava o tempo todo ouvindo calado - O importante é: Quem é Patú?
- O Deus da Fumaça, fiel ajudante de Ximbabu!
- Ajudante... - repete o gordinho, entristecido.
Jack olha para Angélica, que está cada vez mais bela e raivosa. Ela sorri sadicamente e tenta lhe dar um tapa forte no rosto, entretanto ele segura o braço dela para impedir. Por causa disso, a manga da blusa dela cai um pouco e ele consegue ver que o braço de sua "amada" está dourado e reluzente...
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